domingo, 25 de dezembro de 2011
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Solar
Já era cedo e a mosca vivia seus últimos anos de vida, minutos para os humanos, pousava em meu braço e não conseguia mais voar, muito menos escapar do estalar de meus dedos e da pancada contra o vento. Me perguntei porque havia acordado às seis da manhã de um sonho tão bom quanto frustrante - eu e Liz andávamos em um parque que me parecia o Ibirapuera, mas tinha árvores de folhas roxas, e subitamente o caminho que seguíamos levou-nos a uma floresta escura com olhos amarelos por todos os lados, como em desenhos animados. Pendurado à minha frente tinha um cipó, e então me lembrei dos filmes do Tarzan que assistia quando criança, agarrei Liz com um braço, o cipó com o outro e impulsionei nossos corpos para frente, ato não muito calculado que culminou na nossa queda dois metros à frente em uma armadilha, caímos num penhasco, Liz criou asas e eu continuei caindo, até ouvir o zumbido da maldita mosca e acordar. Quando acordo, não consigo mais dormir, é um tipo de doença filha da puta parecida com insônia, ou talvez meu relógio biológico precise de pilhas novas. Meu despertador tocava Bob Marley, e, após uma hora deitado refletindo em baboseiras, decidi que tudo o que tinha a fazer era acender um baseado, e esquecer toda a melancolia que poluía o ar do meu quarto.
Liz nunca foi como a maioria das garotas. Enquanto meninas da idade de quando a conheci, uns quinze anos ou dezesseis, compravam pôsteres de bandas americanas com vocalistas estilosos e bonitos, ela ouvia Radiohead, usava drogas e me fascinava de um jeito que nenhuma outra garota me fascinou até hoje. Ela foi o estopim para aflorar toda a loucura que existe hoje em mim. Quis o destino que não ficássemos juntos, duas almas tão parecidas não devem se unir, é tipo uma porra de lei da física.
Março de algum ano, fomos ao cinema assistir a um filme 3D, depois de entalarmos nosso cu de LSD, maldita Lucy In The Sky With Diamonds, no caso, Alice.
- Léo, amor, ela sempre teve a pele verde? Por que esse gato está vindo até mim?
- As luzes refletem umas nas outras. Recomendo que você o esfaqueie 8 vezes, gatos tem sete vidas, a oitava é para garantir. Mas eu não estou vendo nem um gato, amor, acho que você está drogada.
- Quero sair daqui.
Liz saiu correndo para fora da sala, pela saída de emergência. Acompanhei-a com passos lentos, e levei-a para casa. Fizemos amor com luzes girando em todo o quarto, uma sensação incrível.
Lembrei novamente do sonho. Revivi-o outra vez. Senti a sensação de passar por maus caminhos e cair no penhasco, assistir a garota dos meus sonhos voando para longe, num abismo sem fundo. O chão não chega, mas eu sinto a poeira das montanhas em meu nariz, e tudo me parece sem motivo. Eu ainda enxergo o Sol, mas ele está tão longe que não me ilumina mais.
Quero solar
Com as notas desse Sol
Com esse Sol
Eu vou solar
Liz nunca foi como a maioria das garotas. Enquanto meninas da idade de quando a conheci, uns quinze anos ou dezesseis, compravam pôsteres de bandas americanas com vocalistas estilosos e bonitos, ela ouvia Radiohead, usava drogas e me fascinava de um jeito que nenhuma outra garota me fascinou até hoje. Ela foi o estopim para aflorar toda a loucura que existe hoje em mim. Quis o destino que não ficássemos juntos, duas almas tão parecidas não devem se unir, é tipo uma porra de lei da física.
Março de algum ano, fomos ao cinema assistir a um filme 3D, depois de entalarmos nosso cu de LSD, maldita Lucy In The Sky With Diamonds, no caso, Alice.
- Léo, amor, ela sempre teve a pele verde? Por que esse gato está vindo até mim?
- As luzes refletem umas nas outras. Recomendo que você o esfaqueie 8 vezes, gatos tem sete vidas, a oitava é para garantir. Mas eu não estou vendo nem um gato, amor, acho que você está drogada.
- Quero sair daqui.
Liz saiu correndo para fora da sala, pela saída de emergência. Acompanhei-a com passos lentos, e levei-a para casa. Fizemos amor com luzes girando em todo o quarto, uma sensação incrível.
Lembrei novamente do sonho. Revivi-o outra vez. Senti a sensação de passar por maus caminhos e cair no penhasco, assistir a garota dos meus sonhos voando para longe, num abismo sem fundo. O chão não chega, mas eu sinto a poeira das montanhas em meu nariz, e tudo me parece sem motivo. Eu ainda enxergo o Sol, mas ele está tão longe que não me ilumina mais.
Quero solar
Com as notas desse Sol
Com esse Sol
Eu vou solar
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Vida, Morte e as Mulheres que as Causam - parte 1
Percebi que eu estava fora do estereótipo de garoto ideal - filhinhos de papai que praticam bullying longe dos olhos de seus pais, que têm celulares e iPods, palmeirenses e são-paulinos, fanáticos desde criança, que no futuro herdarão grandes negócios e terão sucesso na vida apenas pelo berço em que foram criados - logo no meu primeiro dia na escola. Era um garoto franzino, do centro paulista, acostumado à fazer das ruas sujas campos de futebol, as praças-moradias de mendigos e drogados, bolsista num colégio de mauricinhos podres de ricos cujos pais cagavam dinheiro e as mães limpavam suas bundas fedidas para recuperar algumas moedas.
- Benzinho, erga um pouco mais o seu traseiro, estou vendo uma moeda de 50 centavos entalada. Vou pegar o desentupidor e depois comprar uns doces para a Babizinha no mercado.
- Ande logo com isso, mulher! Tenho outras famílias para alimentar! - a inconveniência dos meus pensamentos vinha desde pequeno.
Conheci Esteban também naquele primeiro dia. Rodeado de garotos e garotas, ele contava histórias fascinantes sobre os shows de rock que assistia com seu pai. Eu, que ouvia os discos dos The Smiths do meu pai escondido, e assistia na televisão todas aquelas bandas que criticavam o sistema e imploravam pelo amor de uma mulher com seus penteados punk, cabelos no olho, loiros, cabelos espetados e roupas rasgadas, ficava imaginando como era um estádio lotado de pessoas desse jeito, vibrando ao som da banda que ensurdecia os ouvidos e fazia sangrar os tímpanos, com suas melodias que mais pareciam barulho, o que fazia daquelas músicas algo assombroso e fenomenal.
Descobri com o evoluir de nossa amizade que Esteban era mesmo um contador de histórias, e aumentava-as para torná-las mais emocionantes, claro, como todos os contadores de histórias. Certo dia, quando eu comia meu pão-com-presunto diário no intervalo e tomava um mupy de morango, observando os garotos mais velhos jogando pingue-pongue e os da minha classe apostando seus lanches quem chegaria primeiro ao outro lado do pátio, veio até a mim com um de seus contos.
- Escute, Léo! LÉO! Quer ouvir uma história?
- Você não me contou o final da última ainda, Bam.
- É verdade, mas escute, Léo, meus pais brigaram ontem.
- Meus pais discutem todo dia.
- Eu sei, mas ontem foi pior, tipo, pior, entende? Escute, ontem eu estava jogando videogame, GTA, cara, esse jogo é genial! e o controle parou de funcionar. Você tem um Playstation? Eu estava no ápice do jogo, você sabe como é quando alguma coisa trava no meio da partida, não sabe? Dá uma raiva! Fui até a gaveta do meu pai procurar uma ferramenta para concertar, e achei um bilhete meio estranho.
(...)
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