quinta-feira, 29 de março de 2012

Já Dizia Thom Yorke

I wish I was special
So fucking special


But I'm a creep
I'm a weirdo
What the hell am I doing here?


I don't belong here.



domingo, 4 de março de 2012

I Hate Mosquitoes


O ódio pode levar as pessoas a loucura. Não odeiem, amem!
Mas.
Eu odeio pernilongos.
Quem os inventou deveria morrer!
Nunca deseje a morte de ninguém!
MORRAM, PERNILONGOS!!!
Quem és para julga-los a morte?
MORRAM, MORRAM, MORRAMM!!!!!!

i fucking hate mosquitoes.

Carnaval, a porra do carnaval! O feriado mais famoso do Brasil. Bundas grandes, gringos fartos! Carnaval só serve para trazer ao meu quarto PERNILONGOS filhos da puta. Na verdade, não o carnaval, e sim o verão. É, eu gostaria do verão, gostaria da natureza, se não fossem os pernilongos.
Carnaval de certo ano, fui com meus amigos viajar.
GRANDE VIAGEM.
Cheia de PERNILONGOS.
o que há de esperar de uma mente com repulsão à pernilongos!

o que este ponto de exclamação faz ali?
oh meu deus não ! 

o que há de esperar de uma mente com repulsão à pernilongos?

DIE MOSQUITOES.

sexta-feira, 2 de março de 2012

O Velho Violonista

Porque a noite tem que ser tão triste em dias úteis? As férias passam, você volta das viagens renovado, até perceber que aqueles momentos passaram, tem que voltar a ver a cara do seu chefe, e nem um baseado muda isso, porque você não está na praia, está a noite sozinho no seu quarto escrevendo sobre como é chato estar a noite sozinho no seu quarto. E daí você culpa a porra do capitalismo, o presidente, a sociedade e a garota que não te quer, vai dormir, acorda sentindo-se melhor, até que chegue a noite novamente.
Tiveram certos momentos da minha juventude que eu me sentia como um velho violonista em seus últimos dias de vida: ainda com ilusões, mas, de uma certa forma, realizado, pois ainda tinha seu violão. No meu caso, meu violão era minha garota, e mesmo sofrendo de Alzheimer, não poderia me esquecer de como a conheci.
Estava vindo para a cidade uma daquelas bandas gringas underground que nem em meus sonhos mais profundos tocariam na minha frente, e sendo eu um adolescente sustentado por pais que mal conseguiam se sustentar, obviamente, não iria, a menos que tivesse muita sorte e o ingresso aparecesse na minha frente.
Meu aniversário cairia numa quinta-feira, o show seria na sexta. Fui então sair com Bam e a rapaziada pra comemorar meus quinze anos desiludido e mal porque eu realmente queria ir naquela merda, e depois de algumas voltas no quarteirão, risadas e nenhuma troca de presentes, mas muita troca de amizade, eles me sentaram em uma calçada qualquer e me pediram pra fechar os olhos.
- Ei, seu cuzão, a gente te odeia tanto que vamos colocar um objeto na sua frente e você vai ter que engoli-lo! É seu aniversário então você tem o direito de ficar calado. - ótimos amigos eu tinha, não?
Fiz então o que eles pediram  Uns cinco segundos depois, abriram meus olhos e e eu pude enxergar. (Jura mesmo?)
- Seu bando de filhos da puta!! Não acredito!
Era aquele ingresso que eu tanto estava choramingando para conseguir. Velho, onde eu conseguiria amigos melhores? Nem na fucking Las Vegas!

Chegou o dia e eu estava muito ansioso, vulgo, ansioso PRA CARALHO. Se eu já mencionei que meus pais eram pobres, é fácil deduzir que eu nunca tinha ido à nenhum show, muito menos à um show internacional, e o primeiro seria logo daqueles pseudo-cults-denominados-indies-que-eu-só-não-gritaria-no-show-porque-eu-não-sou-gay-mesmo-tendo-realmente-gritado. Coloquei minha camiseta do Ramones, vesti uma calça skinny e meu all-star pra pagar de punk rock - ah, a adolescência!. Fui até o local e na fila de entrada tinha uma garota que me parecia familiar, mas de jeito nenhum eu conseguia lembrar quem era. Talvez em outra vida, eu a havia conhecido.
- Me desculpe, eu te conheço de algum lugar?
- Hm, você foi no show do McFly?
- Desculpa de novo, mas não ouço boybands.
- Se isso fosse um flerte, você já teria perdido uns cinquenta pontos.
- Vai assistir o show sozinha?
- Vou assistir com um cara que goste de boybands.



Assim como o cara do vídeo, continuei minha caminhada rumo às calças dela. Assistimos juntos aos pseudocults ingleses.

Quando acabou o concerto, tudo o que passava na minha cabeça era: "é só isso?", e ela concordou.
- O show do McFly é bem melhor.
- Que tal falarmos de cultura?
- 100 pontos a menos.
- Quer fazer alguma coisa qualquer dia desses?
- Você xinga minha banda predileta, e ainda quer sair comigo?
- Hum... Sim.
- Eu não sou tão fácil.
- Facebook, então?
- Não.
- Telefone?
- Não.
- ICQ?
- Não. Tchau, meus pais chegaram!

Ela foi para o carro, mas antes de entrar, segurei sua mão, olhei-a nos olhos e perguntei.
- Será que eu posso pelo menos saber seu nome?
- Jéssica.
- Jéssica, vou estar aqui amanhã às duas da tarde, espero até as quatro. Se disser que sim, posso esperar até as cinco.
- Vou pensar no seu caso.

Esperei até as seis, e quando levantei-me para desistir, a vi correndo em minha direção. Passamos o resto da noite conversando e as onze a levei pra casa. Ela tinha dezenove anos, e eu, com meus recém-quinze, me sentia intimidado e com vergonha. Entretanto-,depois de algumas vezes se encontrando no mesmo local, o garoto iludido, vulgo eu, finalmente tomou coragem para se expressar.

- Te amo - eu disse, então.
- Eu também - ela respondeu.
Me aproximei dela e tentei lhe dar um beijo. Ela disse:
- Quando eu fiz dezesseis anos, você tinha apenas doze. Não acha isso inapropriado?
Então eu disse:
- Você quer?
Ela respondeu que sim.
- Então nada mais importa.

Dei-lhe um beijo como se o mundo fosse acabar dez segundos após aquele instante. Dizem que você tem um flashback da sua vida antes de morrer; eu só conseguia pensar em nuvens, e em como o mundo parecia lindo por apenas alguns momentos. Esqueci de todos os meus problemas, esqueci de todos os problemas que ocorreriam depois, pois eu simplesmente estava ali, aquele era o momento, e realmente nada mais importava, e até hoje, nada mais importa. Até que chegue a noite novamente.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Hoje não tem texto ou história. Desculpe te decepcionar, mas hoje sou apenas eu escrevendo palavras na tentativa de esquecer meus pensamentos. E o que mais haveria de estar em minha mente?

Pra não deixar meus leitores imaginários na vontade, deixo aqui uma música.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Vida, Morte e as Mulheres que as Causam - parte 2

>> PARTE 1 AQUI

Gosto do verão porque em dezembro o céu tem mais estrelas. Fumar um baseado e olhar para o céu, acredite, é o barato dos baratos, mas se ele não tem estrelas nem nuvens, perde o brilho. Tempos frios me deprimem, ar seco, vento. Mas em dias como esse, dias de verão, dias quentes, nuvens, estrelas, garotas de biquíni, Natal, verão! em dias como esse, com tudo mais claro, é mais fácil de sorrir, sem ter que forçar expressões felizes em fotos de família ou com os amigos, para não mostrar o quão danificados somos por dentro. Imagem é tudo. It's all in the mind.
Bam me levou até sua casa, me fez ficar curioso a respeito do maldito bilhete. Seus pais estavam trabalhando, tínhamos a casa só para nós e eu pensava, porquê esse vagabundo nunca me falou que tinha um ninho de amor? Pelos dezesseis, tudo para um garoto são garotas, é a idade em que tudo acontece, e ter um lugar livre, de graça, sendo que na sua casa mora você, seus pais e mais dois irmãos, divididos em dois quartos, tendo que escutar a privada do vizinho toda vez que tentar dormir - cara, ter uma casa livre para mim era um sonho!
- Ei, Bam-bam! Vamos chamar umas amigas para virem aqui, cara, hehehe. Entra no MSN aí, brother!
- Não cara, que isso, meus pais vão descobrir, os vizinhos vão ver e contar e gravar e colocar numa conta do YouTube, cara, meus pais vão me expulsar de casa, vou me tornar um mendigo, um ator fracassado, vivendo de esmolas, olhando nos olhos de cada pessoa que passar por mim, todas expressando dó, todas, no horário de almoço, indo até o metrô, voltando do metrô, comendo lanches do McDonald's, me deixando as batatas. Não, mano, meus pais vão descobrir!
- Calma, cara, calma! Que paranoia! Beleza, mas pensa na ideia... Hehehe.
Como você pode perceber, ele tinha um certo medo de ser fracassado. Jogamos videogame, refletimos um pouco sobre as garotas do colégio e nada sobre a porra do bilhete. Comecei a ficar sem paciência, logo ameacei dá-lo uma surra. Bam não levou fé, e então começou a contar uma de suas histórias para me distrair, e ele sabia muito bem fazer isso.


Era um janeiro como todos os outros, o único mês do ano em que 90% das pessoas tem realmente fé - ano novo, vida nova, essa mentira que nos persegue a cada época, um tico de esperança que em fevereiro já se foi, quando você percebe que a única coisa que realmente mudou foi o último número da data escrita em seu caderno. Fora isso, o passado e o presente são praticamente a mesma coisa. 
Fui viajar com meus pais para Angra dos Reis, lindas praias com lindos mares e lindas mulheres, mas fazia tempo que não éramos mais uma família de verdade; todas as fantasias que tínhamos assistindo a filmes hollywoodianos já não pareciam fazer sentido. Mesmo assim, fingíamos ser uma família feliz e curtíamos o sol e as garrafas de vinho. Tinha tudo para ser uma ótima viagem, quando na segunda noite o tempo pareceu mudar. Meus pais brigavam, estávamos todos bêbados, e eu, cansado daquela merda, fui dormir para poder aproveitar a ressaca do dia seguinte. Quando acordei, cara, estava tudo tremendo, o rádio alertava sobre possíveis deslizamentos em decorrência da chuva e dos otários que construíam casas em barrancos propícios para deslizamentos. Possíveis é o caralho! Olhei pela janela e tudo estava um caos, pessoas gritando e correndo tentando salvar seus pertences superficiais ao invés de tentar salvar suas vidas. Corri a casa procurando meus pais, só encontrei minha mãe dormindo, acordei-a e perguntei onde estava meu pai. Ela disse que ele tinha voltado para São Paulo, voltaria no dia seguinte porque eles tiveram a pior briga de todas, e estávamos sozinhos. Ele tinha levado o carro, e o  cenário lá fora parecia o apocalipse. Saímos correndo em busca de abrigo, ou alguém que nos ajudasse, liguei para o 190 e as linhas estavam todas congestionadas. Foi a noite mais frustrante de toda a minha vida, achei que ia morrer, cara, eu realmente achei que tudo ia acabar naquele dia, com minha família desestruturada, e com uma ressaca filha da puta!
Certamente não acabou, encontramos uns bombeiros que nos levaram para casa. Ao chegar, minha mãe não achava seu celular. Vasculhou as gavetas e naquela busca inconstante encontrou uma fita de vídeo, vulgo, o vídeo mais traumatizante de toda a minha vida.
Ela não quis me mostrar na hora, quando meu pai chegou eu os ouvi gritando e não entendi muito do que estava acontecendo, o GTA me consumia, e mal percebi meu pai ir embora e minha mãe me dar um beijo e partir logo em seguida. Fui procurar uma ferramenta para concertar o videogame, e acabei por encontrar também a fita de vídeo com o bilhete junto. Coloquei em nosso videocassete antigo, estava curioso, e acredite, eu nunca deveria ter feito isso. Não, não era a a fita do chamado e nenhuma garota me ligou avisando que eu tinha sete dias de vida, mas era algo mais traumatizante ainda.
Era um filme pornô, com meu pai estrelando. Tudo bem, todo garoto acharia seu pai foda por ter feito um cineprivê, alguns até bateriam uma enquanto assistem. Mas esse tinha uma peculiaridade em especial, era um filme pornô... gay! PORRA! PORRA! As imagens estão voltando na minha cabeça. CARALHO! CARALHO! Não, essa não foi a palavra certa. BUCETA!
Desliguei a televisão depois dos primeiros trinta segundos e fui ler o bilhete. 


"Amor,
Agora eu entendo o porquê do vibrador.
Fui tomar um ar, volto em duas semanas. Cuide bem do Esteban.

Simone"

Agora sim tudo tinha acabado, e isso sim era a porra do apocalipse.


O pior fato que traumatizou Esteban, foi que era um filme recente. Talvez seu pai estivesse morto há anos depois de um casamento sem sonhos e precisava reviver coisas novas.
Caralho, a quem eu estou enganando? Nada é desculpa para gravar um filme gay. Dê seu cu, MAS NÃO FILME!

Muita informação por hoje.

Fim do primeiro capítulo.